Você já deve ter escutado de algum amigo ou lido em algum lugar que, as casas aqui em Amsterdam têm uma arquitetura um pouco diferente. Se não escutou, não leu e nem viu vamos descobrir agora se, isso é verdade ou é apenas uma ilusão de ótica.
Já vimos no primeiro post que A’dam está 2 metros abaixo do nível do mar. Isso só é possível por conta das barragens que foram construídas ao redor da Holanda, impedindo que a água tome conta das cidades próximas ao mar. O terreno da cidade de Amsterdam foi totalmente construído manualmente. Foram aterrados todos os pontos onde por hoje andamos tranquilamente. Mas para que isso aconteça, alguns pontos da cidade precisaram ser drenados e alguns canais precisaram ser construídos para que a água não fosse submergindo a cidade. Por isso, hoje, temos muitos canais espalhados no centro e em partes da periferia da cidade.
A atividade principal do lugar sempre foi a pesca. Muitos pescadores saiam de A’dam para o mar em busca da pesca. Quando retornavam, entravam pelos canais principais da cidade com suas embarcações e paravam muito próximos à beira dos canais. Os canais maiores serviam como as grandes vias onde as embarcações entravam pelo lado direito, e faziam um retorno saindo pelo lado esquerdo. Nas fotos abaixo podemos ver dois exemplos de largos canais. No século XVII, considerado o Século de Ouro dos países baixos Amsterdam tinha o porto mais importante da região.
Não eram só pescadores que entravam e saiam destes canais. Todas as mercadorias que abasteciam a cidade, também. Quando as embarcações paravam próximas aos canais o tempo era contado. As embarcações precisavam descarregar suas mercadorias muito brevemente para que o fluxo de entradas e saídas fosse contínuo e não atrapalhasse a rotina da cidade.
Ao longo dos séculos, a expansão de Amsterdam foi muito planejada. Os canais Herengracht, Keizersgracht e Prinsengracht foram escavados de 1613 a 1662. Os lotes de terra, ao longo dos canais, que foram vendidos eram inicialmente muito pequenos. Cada lote tinha de 5 a 7 metros de largura. Para tanto, como os terrenos da cidade sempre foram muito pequenos, as casas foram sendo construídas muito próximas umas as outras. As casas eram tão próximas que a entrada de luz nas casas se torna muito importante. Quase todas as edificações tem grandes janelas na parte superior. Estas janelas serviam também para receber as mercadorias que chegavam com as embarcações pelos canais.
Ok, tudo muito bem dramatizado neste texto. Mas por que as casas são tortas?
É a partir desta justificativa que começamos a entender um pouco mais da arquitetura da cidade.
A parte frontal das casas era construída com uma leve inclinação ou para frente ou para trás e na parte superior havia sempre um braço com um gancho na ponta. Era assim que as mercadorias como especiarias e tabaco entravam nas casas, elevadas por cordas presas aos ganchos entravam através das grandes janelas. As casas tem esta inclinação justamente para não caírem, desabarem. É muito curioso como o sistema de engenharia proposto para a época, marcou muito esta cidade. Com o passar dos anos os ganchos foram perdendo a sua função de elevar as mercadorias e se tornaram objetos de apreciação histórica e de curiosidade.
Mas as casas não são somente inclinadas para frente ou para trás. Vemos também alguns prédios que tem uma “leeeeeeeve” 😛 inclinação para a lateral. Isso é resultado de um terreno totalmente arenoso e de um cimento que para a época era resistente, mas não o suficiente para aguentar tantos anos. A grande maioria das casas que estão tortas na cidade, já passaram por ajustes de engenharia e estão muito bem sustentadas, diminuindo drasticamente o risco de desabarem.O terreno segue se movendo até os dias de hoje e assim será até … Pessoas ainda habitam essas casas, o que é muito normal em um lugar quase impossível de se realizar uma nova construção. Não há mais espaço no centro histórico de A’dam. Não há! Por este motivo, cresce o número de construções civis nos bairros mais afastados da cidade. Mas essa, essa é outra história!
Espero que tenham gostado de conhecer mais um pouquinho A’dam 🙂
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É arte-educadora e mestra em Memória Social e Patrimônio Cultural, ama crianças e tudo o que se relaciona com memória e identidade. Tenta congelar fragmentos de uma experiência através da fotografia. Tenta porque prefere mil vezes sentir - e no sentir esquece (propositadamente) de registrar. Por culpa do destino hoje voa por aí. Sempre voa de mãos dadas com seu parceiro da vida e com sua pipoquinha, afinal "sonho que se sonha só é só um sonho, mas sonho que se sonha junto é realidade.".
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